domingo, 27 de março de 2011

mais um


Sinto o cheiro dos cravos
Que florescem nos campos
Sinto o gosto da morte
Pousar nos meus lábios
Há uma mão que
Afaga com carinho
Os meus cabelos
E já nem posso ao menos
Corresponder os eu afago

Das pessoas ao meu redor
Pouco vejo
Com essa visão que mais do que nunca
Está distorcida
Ouço lamentos
E palavras de alivio

Talvez eu não fosse
Tão boa quanto pensava
Há sangue nos meus cabelos
Meu sangue se mistura ao asfalto
Não tem problema
Meu sangue sempre foi cinza mesmo

Largaram meu cabelo
Seguraram minha mão
Aquela pessoa misteriosa
Que sempre amei
Agora beija meus lábios sem vida

Queria eu agora
Dizer o quanto sentia
Mas era tarde ninguém
Mais me ouvia

Morri sem a chance
De me defender
Morri tentando encontrar
O que sempre tive
Em minhas mãos
E deixei escapar
Simplesmente entre os dedos

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